segunda-feira, 8 de abril de 2013

Por terras de "Nuestros Hermanos"!


As minhas noticias tardam mas não falham!

Já há muito tempo que queria ter ido a Barcelona, porém só neste último mês de Março é que consegui conjugar todos os requisitos para ir: disponibilidade, ausência de compromissos profissionais e pessoais inadiáveis e dinheiro. Tinha tudo para ser uma viagem de sonho e, de facto, foi. Não é que eu conheça este mundo e o outro mas quase me atrevo a dizer que Barcelona é das cidades mais inspiradoras, organizadas e cosmopolitas que existe. Saímos do Porto às 6:30 da manhã e está bom de ver que nessa noite não preguei olho, pela ansiedade e pelo medo de adormecer. Sim, porque sair de casa às 4 da manhã para poder fazer o check-in uma hora antes do voo como mandam as regras não é nada fácil. Mas como para passear não há perna manca, às 5:30 da manhã estávamos prontinhos a descolar.

Pouco mais de uma hora de viagem e ei-los em Barcelona. Ouvidos surdos, cabeça pesada da descompressão de ar mas de resto tudo impecável. Apanhámos o aerobus e lá fomos nós em direcção à Praça da Catalunha. Descemos as Ramblas, e de máquina fotográfica numa mão e mapas na outra, partimos à descoberta do Hotel. Tentámos seguir as indicações de uns polícias a quem havíamos pedido ajuda mas correu mal, talvez porque os senhores ao perceberem que éramos portugueses estavam mais preocupados em saber se torcíamos pelo Ronaldo ou pelo Barcelona. Continuámos a busca, descemos umas ruas, subimos outras, procurámos nas ruas transversais, nas ruas paralelas e conseguimos lá chegar. O Hotel foi uma agradável surpresa, não só pelo design e conforto mas também pela (boa) localização a 500 metros das Ramblas e a 100 metros do Porto, o que nos permitiu aproveitar o que restava do primeiro dia para fazer passeios a pé. Isto porque só pudemos entrar no quarto às duas da tarde sendo que assim que lá entrámos esparramámo-nos em cima da cama a dormir uma bela duma sesta para repor energias.
À noite, depois de muito bater os pés pelas calçadas e já vencidos pelo cansaço, ficámos a jantar uma paella mista num restaurante simpatiquíssimo quase em frente ao Hotel.
Para o segundo e terceiro dias o programa foi passear no autocarro turístico e conhecer os pontos de atracção mais importantes. Auriculares nos ouvidos, a língua portuguesa seleccionada na opção 15 e ficar a ouvir a História da cidade em Português com açúcar. Houve momentos que fiquei tão deslumbrada pelo que os meus olhos estavam a ver que quase nem prestava atenção à informação que se me entrava ouvidos dentro.

Barcelona é fortemente marcada pela megalomania de Gaudi. O seu traço está presente nas mais emblemáticas construções e até eu, que não sou nada dotada para apreciações artísticas, consigo perceber onde é que o senhor punha as mãos. Antes de ouvir a explicação, já dava por mim a pensar " Isto é Gaudi, só pode ser". Arquitecturas ondulantes numa espécie de adoração ao mar e gosto pelo gótico fazem dele um arquitecto que dispensa apresentações, ainda que mais tarde tenha tentado romper com esta tendência com a construção do Park Guell, sob o mecenato de Guell, e ainda com a casa Batló e Milá.
Claro que não se pode falar de Gaudi sem se falar da Sagrada Família, a menina dos seus olhos. É como se de dois conceitos indissociáveis se tratassem e eu cá só tenho a dizer que me rendi à sua grandeza. Do alto da minha pequenez, tive de me esforçar muito para lhe ver o cume.
Porém, se me pedissem que elegesse uma das suas obras, a minha escolha recairia, indubitavelmente, sobre o Park Guell. Em termos de estilo arquitectónico não é sequer comparável aos demais edifícios apesar de se tocarem em algumas características. Parece uma pequena aldeia dentro duma grande cidade. Para além do colorido da cerâmica, o que mais me chamou a atenção foi o encaixe perfeito entre a Natureza e a obra.
Quase que podia arriscar dizer que a actual organização da cidade se deve -  também -  ao impulso de Gaudi; tudo na paisagem faz sentido, as casas assentam umas nas outras milimetricamente, as varandas preenchem filas perfeitas e até os padrões nas paredes parecem pensados e esculpidos ao pormenor. O embandeiramento patriótico também é uma coisa linda de se ver.
A Avenida Diagonal faz as delicias das senhoras. Ele é Louis Vuitton, ele é Dolce & Gabanna, ele é Channel, ele é Jimmy Choo. Nesta parte eu já não sabia para onde direccionar as atenções, se para o blazer de 945 euros se para as sandálias de 1150 euros. Fiquei numa espécie de deslumbramento letárgico, se é que isto existe.
E para arrumar este tema, há que referir o MNAC - o Museu Nacional de Arte da Catalunha - cuja vista para a Praça de Espanha é SO-BER-BA.

E dar ao dente? Perguntam vocês.
Pois, isso já foi mais dificil. Eu gosto de apreciar e experimentar a gastronomia típica do sítio onde estou por isso foi um tal enfardar paellas, tapas e bocadillos. Não é mau não senhora, mas também não é nada que não tenhamos por terras lusas de igual ou melhor qualidade. Mas e quando não apetece uma destas três coisas, come-se o quê? Pessoalmente, tive sempre muita dificuldade em escolher e no último dia já estava a desesperar por um prato "à tuga". Isto porque não percebia as ementas e mesmo em Inglês havia sempre um ingrediente, um molho, um legume que eu desconhecia e que temia não gostar. Rezava a todos os santinhos e desde que não me chegasse à mesa uma coisa absolutamente oleosa ou nojenta, por mim já estava bem.

Foi tudo maravilhoso! Tanto que quando meti os pezinhos no avião para voltar a Portugal comecei logo a idealizar o regresso a Barcelona. Num dos dias o S.Pedro brindou-nos com uma valente chuvada por isso há uma ou outra coisa que gostava de ter visto melhor. Fica, mesmo, para a próxima. Se era preciso uma desculpa para voltar acho que esta é perfeita!






(As letras da camisola que comprei numa lojinha típica)

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