sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Ken Follet e "O Terceiro Gémeo"- reflexões


Ler é uma das coisas que mais me entusiasma fazer. Depois de algum tempo mergulhada em literatura jurídica decidi canalizar as energias para obras e autores que ainda não conhecia. Sobre Ken Follet passei a vida a ouvir falar dos "Pilares da Terra", que essa é que era "a obra", que tinha mesmo de ler porque estava na lista dos 100 livros para ler antes de morrer, que isto e mais aquilo. Na verdade, tenciono fazê-lo mas comecei pelo "Terceiro Gémeo" graças à R., uma amiga ainda mais louca que eu por livros.

Achei o livro soberbo. É uma história envolvente, rápida, intensa e que levanta questões éticas muito relevantes. Não consegui ler o livro de uma assentada só (já não tenho 20 anos), tive de ir aproveitando os espaços livres que tinha para o fazer mas, é de tal forma bem escrito que nunca se perde o fio condutor.

Trata-se de uma cientista cuja carreira está em ascensão que pretende estudar pares de gémeos com o objectivo de perceber se a violência ou a tendência para a criminalidade são genéticas ou se, pelo contrário, podem ser afastadas pela educação. Assim, num par de gémeos, um pode ser um delinquente construindo ao longo da vida a chamada carreira criminosa, e o outro, porque separado do primeiro e educado por pais diferentes, pode ser uma pessoa equilibrada sem necessidades especiais de educação para o Direito e para as regras da sociedade.

Para tanto, ela desenvolve um programa informático, altamente eficaz que a leva mais além na sua busca. Parece que nem ela própria previa chegar tão longe. Consegue descobrir oito pessoas iguais, filhas de pais diferentes, nascidas em hospitais distantes uns dos outros que não são mais do que...clones! Como se não bastasse, chega à conclusão que um dos mentores de todo este processo de clonagem é o seu "padrinho" universitário, que vê o seu sonho de criar soldados perfeitos ameaçado pela jovem que ele próprio contratara e que ele próprio se encarregará de criar pressões no sentido de a demitir.

Se é certo que, actualmente, a clonagem é um tema mais ou menos comum, não é menos certo que continua a ser controverso. Gerar um filho que pode ser igual a tantos outros e que resulta de uma combinação genética manipulada não é propriamente o sonho de qualquer mãe. Menos ainda, se acrescentarmos o facto de ele poder vir a ser um marginal.

No caso do livro as mulheres em causa tinham recorrido à ajuda de tratamentos de fertilidade. Desejavam desesperadamente a maternidade. Mas,  não sabiam que no seu útero tinha sido implantado um embrião - resultante da junção de um óvulo e um espermatozóide de um outro qualquer casal forte, saudável e agressivo-  previamente dividido em vários outros e que, o resultado dessa divisão, por sua vez, tinham sido outros embriões implantados no útero de outras mulheres. Nenhuma delas havia consentido, o que, avaliando a nu, parece ser uma ofensa brutal à sua integridade física. Uma clara violação da sua liberdade de opção. Não obstante terem amado incondicionalmente aquelas crianças, aqueles filhos não eram os delas.

 

Por outro lado, e deixando agora de parte a clonagem, o autor retrata bem o que pode ser uma "estrutura hierárquica" vulgarmente conhecido como o " fazer a cama a alguém". Ora, as universidades deveriam ser a plataforma por excelência de conhecimento, evolução e progresso. A máquina geradora de cérebros brilhantes que podem questionar tudo o que está instituído e chegar mais longe, ver mais longe. Para isso, é preciso preservar a liberdade de investigação e a transparência de interesses. Tudo isto é muito bonito, é. Mas só funciona se não colidir com os interesses de nenhum mecenas...cauteloso!

 

Claro que há uma outra fragilidade no livro. Não cheguei a perceber como é que um prisioneiro consegue soltar um rato na sala de visitas, quase violar a visita sem que o guarda prisional se aperceba de nada. Porém, nada que deite por terra tudo o resto.

Deixo-vos o livro como sugestão de prenda para este natal ou apenas como sugestão de leitura.



 

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